quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Oui blue bird



Ela mais ou menos acordou.
Abriu uma fresta dos olhos , com força. Os flashes luz que vinham da sua janela entreaberta disseram que ainda não era hora de acordar. Fechou com prazer, os olhos novamente.
Não sonhou, talvez estivesse cansada de mais para tal exercício.
Mais uma vez acordou. Agora lá fora chovia. Teria ficado um dia a mais dormindo? Não. Lembrou-se como o tempo tem tido a capacidade de mudar tão rápido e surpreender seus planejamentos. Teria que parar de planejar de agora em diante. Era o mais sensato. Por um segundo culpou esse aquecimento global, o CO2 e a droga do escapamento da vizinha que fez questão de furar e deixar o cheiro doce da fumaça na garagem todo dia de manhã. Chega. Não ... era cedo demais. 10 horas? Olhou no relógio do celular que estava sobre a mesinha do lado : 10:15. Hora de impulsivamente levantar. O fez. Cambaleando foi até o chuveiro , ligou a torneira . esperou a água esquentar e enquanto isso tirou sua roupa. Estava suando , até então não lembrara o quão desconfortável fora sua noite . Quente . Mexeu demais. Hora tirava a coberta, hora a punha novamente.
Entrou de baixo d'água , molhando os cabelos . Sentou-se por um momento . Quis relaxar, mas até aquele momento sentia que ainda estava dormindo. Queria acordar , mas não conseguia. Não pensava . Esqueceu por fim .
Ainda inerte, voltou para sua cama e seu aconchego. Novamente adormeceu.
Agora escutara sua mãe falando alto. Meu Deus , por quanto tempo mais eu dormi?Olhou para a janela , mas desta vez, ela estava fechada. Levantou-se então , o almoço estava pronto, seus pais a esperavam e lentamente arrastou seus pés até a mesa onde tudo se encontrava . É a falta de comida. Só pode ser... Eles olhavam pra mim e riam. Por que raios? Tudo estava normal. A televisão gritava alguma barbárie , a comida estava salgada, seu pai pedia o açucar para por no suco e a pimenta para o feijão e sua mãe repetia incessavelmente que ela deveria hoje, realizar suas obrigações, aquelas que ela não as tinha feito durante toda sua vida. Sempre.
Tá bom , hoje eu não as farei. Novamente.
E o dia continuou assim. Normal, e ela enfim se perguntou se o cansaço não era então o cansaço que tinha do estado padrão e justo . e normal. Aquele considerado o correto, modelo.
Não queria ser o modelo do padrão da estética do comportamento homogêneo do raciocínio ilógico e anti-natural. Sem planejar. Sem se planejar .

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